FLEC passa a designar-se Frente de Libertação do Estado de Cabinda

 FLEC passa a designar-se Frente de Libertação do Estado de Cabinda
 
 

Paris - A FLEC assumiu a denominação de Frente de Libertação do Estado de Cabinda, deixando cair da anterior designação o termo Enclave, disse à Lusa o secretário-geral da organização, Joel Batila (na foto).

Contactado telefonicamente a partir de Lisboa, Joel Batila salientou à Agência Lusa que a decisão foi tomada no decorrer da reunião de três dias do Conselho Nacional do Povo de Cabinda, que hoje terminou em Paris, sob a presidência de Nzita Henriques Tiago, líder histórico da FLEC.

"Tomámos várias decisões. No quadro político foi decidido abandonar o termo Enclave e reestruturar o Governo Provisório de Cabinda, dirigido pelo presidente Nzita Tiago", adiantou, Os participantes no encontro, provenientes de vários países entre os quais Portugal, decidiram, designadamente, nomear Martinho Lubango, representante da FLEC no Reino Unido, e responsável pelo Departamento de Negócios Estrangeiros do Governo Provisório, como representante dos independentistas cabindas para um eventual diálogo com as autoridades angolanas.

Martinho Lubango substitui assim António Bento Bembe, nomeado em 2004 presidente do denominado Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD), destituído do cargo por Nzita Tiago no início de 2006, por alegadamente se ter afastado dos objectivos da FLEC.

Embora afastado do cargo pela FLEC, Bento Bembe continuou a ser reconhecido pelo governo angolano, que além de o manter como interlocutor válido para alcançar a paz na região, rubricou com ele, há precisamente um ano, um Memorando de Entendimento para a Paz.

Segundo afirmou à Lusa Joel Batila, na reunião de Paris foi ainda decidido lançar um apelo à comunidade internacional para que pressione as autoridades angolanas a porem termo às "perseguições" a cabindas que vivem em campos de refugiados na República do Congo Brazzaville e na República Democrática do Congo (RDCongo, ex-Zaire).

"São mais de 60 mil refugiados, sujeitos a perseguições e incursões das tropas angolanas, que os raptam e obrigam a regressar a Cabinda", acusou Joel Batila.

Sobre a situação no terreno, o secretário-geral da FLEC desvalorizou a alegação de Luanda sobre o final do conflito em Cabinda, considerando que as Forças Armadas de Cabinda (FAC), "braço armado" da FLEC "continuam a resistir à ocupação".

"Se a guerra acabou, por que razão Angola continua a enviar tropas para Cabinda", questionou Batila, denunciando a presença de mais de 40 mil militares angolanos o território.

O enclave de Cabinda, de onde provém mais de 80 por cento da produção petrolífera de Angola, é palco desde 1975 de uma luta armada independentista liderada pela FLEC, que alega que o território ainda é um protectorado português nos termos do Tratado de Simulambuco, assinado a 01 de Fevereiro de 1885 e que serviu para Portugal defender na Conferência de Berlim, que estava a decorrer na altura, os seus direitos sobre Cabinda, território que era reclamado pela França, Reino Unido e Bélgica.

Fonte: Lusa
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